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09 maio 2007

Francia e Berlusconi


Com as devidas proporções, para um italiano trata-se de um filme já visto: aquele de uma esquerda incapaz de responder ao neo-conservadorismo sem complexos de um Berlusconi ou de um Sarkozi, de fazer o seu aggiornamento e de contra-atacar, não sobre o terreno da diabolização mas sobre aquele das ideias. O verdadeiro risco para a democracia, não são nem Berlusconi nem Sarkozi. O verdadeiro risco é o de ver, à semelhança da Itália dos últimos anos, um debate público empobrecido, reduzido à clivagem PCS (“ por ou contra Sarkozi”)- Adriano Farano.

28 fevereiro 2007

O mercado


Ecos do Forum para a soberania alimentar terminado ontem no Mali, um desafio ao mercado selvagem:

A segurança alimentar defendida pela FAO consiste em garantir uma alimentação suficiente por via do comércio, explica Jean-Marc Desfilhes, coordenador internacional do Fórum e membro da Via Campesina. Mas isso não funciona; hoje, 850 milhões de pessoas sofrem com a fome, sendo a sua grande maioria composta por camponeses. A soberania vai mais longe, ela implica o direito de proteger a produção e o mercado agrícolas interiores das importações.

Nós por cá, pensando em voz alta…
UMA das vantagens do funcionamento do mercado global é o de proporcionar ao consumidor produtos que não sejam produzidos localmente, em quantidade ou em variedade. Ganharão também os produtores dos países exportadores que apresentem a melhor qualidade/preço.
O problema surge quando os produtores de um determinado país abandonam a produção local, ou seja, a partir do momento em que o seu mercado começa a ser inundado pelos mesmos produtos, mas agora com preços arrasadores. Enfim, uma consequência da maior tecnologia dos exportadores, e também, da subsidiação à exportação que os respectivos estados proporcionam.
A recente revolta das famosas “ tortillas”, ou da falta delas, teve (tem) como base a contingência da dependência da produção de milho a que o México chegou, outrora auto-suficiente.

A fome, além de poder levar à morte, terá obviamente consequências imprevisíveis: desertificação, migração, concentração, sobrepopulação, desequilíbrios sociais e ambientais.
O salto da liberalização do mercado para o mercado selvagem deve ser rejeitado com veemência.
Nunca é demais lembrar!

12 fevereiro 2007

Equilibrem-se, pois!


Ver a globalização estritamente no âmbito económico, como oportunidade de incremento comercial e de fluxos financeiros, subalternizando povos e pessoas, e até o próprio ambiente, é manifestamente contraproducente para uma civilização deste princípio de século. Ninguém é indiferente a erros já cometidos, havendo uma “sensação global” de que é necessário arrepiar caminho…A frieza dos números reais só vem mostrar que é urgente mudar!

Sabe-se agora, que em 2006, a China falhou nos seus objectivos para reduzir a poluição, dado que dois indicadores-chave aumentaram em mais de 1%. As emissões de dióxido de enxofre aumentaram 1.8%, atingindo as 463 000 tons; o consumo de oxigénio na água, tendo aumentado 1.2%, atingiu as 173 000 tons.

As principais fontes de poluição atmosférica em dióxido de enxofre são as centrais termoeléctricas a petróleo ou carvão e as fábricas de ácido sulfúrico, enquanto que o excessivo consumo de oxigénio na água fica a dever-se à eutrofização do meio.

A China, país que em 2002 ratificou o Protocolo de Quioto, ostentando um “milagroso” crescimento económico da ordem dos 10.7%, mostra assim, o reverso da medalha.

Nunca é demais lembrar!