29 maio 2007

Francesco

De vez em quando lembro-me da grande música que fazia o maestro...E volto a ouvir sem me cansar!

24 maio 2007

A agenda


Quanto tempo, atenção e energia nos roubam este governo e os media com os casos do professor suspenso, o da lista nominal de grevistas, entre outros.

E nós que podíamos estar a fazer outra coisa!

19 maio 2007

O castigo


Os deuses tinham condenado Sísifo a empurrar sem descanso um rochedo até ao cume de uma montanha, de onde a pedra caía de novo, em consequência do seu peso. Tinham pensado, com alguma razão, que não há castigo mais terrível do que o trabalho inútil sem esperança.

Albert Camus: - O mito de Sísifo


Mountain ( pintura ) - José Dias

17 maio 2007

Lá vai Lisboa!

As eleições intercalares foram marcadas pela Governadora Civil para prazo inferior ao estipulado pela lei. Este atropelo à lei constitui uma machadada forte nas candidaturas independentes. Quer se goste ou não de qualquer um dos candidatos independentes ( Helena Roseta e Carmona Rodrigues ), não é isto o que está em causa. Têm, por isso, toda a legitimidade em reclamar!

O ex-vereador Sá Fernandes apelou a uma eventual coligação, que poderia englobar partidos, associações, movimento de cidadãos, excluindo no entanto, aqueles que mais contribuíram para o actual estado de coisas.
Poderá ter sido espontâneo o apelo de Sá Fernandes, ele que não é certamente um político de tarimba… Por que razão então, o coro indignado, como se ele tivesse feito um crime de lesa-majestade?

E caiu o carmo e a trindade, especialmente por parte do PCP, considerando que este “extemporâneo” apelo não passava de uma “manobra de propaganda pessoal do candidato Sá Fernandes”. Surpreendeu-me Ruben de Carvalho, político que tinha como pessoa equilibrada, pouco politiqueiro!

Fiquemos por aqui.

O PS vai sozinho, fazendo o que lhe parece mais conveniente. Helena Roseta, se conseguir as 4 000 assinaturas, irá como independente, sem apoio de quaisquer partidos. E está no seu direito. Sá Fernandes, será apoiado pelo BE. E o PCP, farol do comunismo em Portugal, também tem que ir, pois claro.

Definitivamente, a plataforma era demasiado grande para uma esquerda, que convenhamos, é pequena, apesar do enorme rótulo!

16 maio 2007

Canal memória



CASA PIA

CASA PIA

CASA PIA

CASA PIA

CASA PIA




( consta mesmo que houve vítimas, a quem o Estado indemnizou. A justiça era lenta. O processo ainda decorre…)

11 maio 2007

O rio

Haveria tanto outro espaço para edificar a Agência Europeia de Segurança Marítima e do Observatório Europeu da Droga e Toxicodependência … Mas qual quê, teria que ser mesmo na borda do rio e no cais Sodré! Apesar de todas as rejeições às críticas, como seria de esperar, a APL (re)tarda em perceber uma coisa: que o espaço ribeirinho não pode ser uma zona de sua utilização exclusiva e preferencial.

09 maio 2007

Francia e Berlusconi


Com as devidas proporções, para um italiano trata-se de um filme já visto: aquele de uma esquerda incapaz de responder ao neo-conservadorismo sem complexos de um Berlusconi ou de um Sarkozi, de fazer o seu aggiornamento e de contra-atacar, não sobre o terreno da diabolização mas sobre aquele das ideias. O verdadeiro risco para a democracia, não são nem Berlusconi nem Sarkozi. O verdadeiro risco é o de ver, à semelhança da Itália dos últimos anos, um debate público empobrecido, reduzido à clivagem PCS (“ por ou contra Sarkozi”)- Adriano Farano.

06 maio 2007

A Viagem

Tudo o que fazemos na vida, mesmo o amor, fazemo-lo no comboio expresso que corre em direcção à morte. Fumar ópio é deixar este comboio em andamento, é ocuparmo-nos de outra coisa em vez da vida ou da morte.

Jean Cocteau: “ Ópio “

03 maio 2007

Bye bye Carmona

Que grande desilusão o mandato de Carmona, sobretudo para aqueles que votaram nele. Há quem tivesse visto nele, o competente, o engenheiro, o professor, o técnico, razões que à partida dariam alguma garantia para um desempenho minimamente honesto.
Nada disso!
Além de não apresentar um projecto para Lisboa- afinal, a razão de ser de uma candidatura municipal-, a prestação dos serviços básicos tornou-se caótica aos olhos dos munícipes! Foi também um executivo que andou nítidamente com a cabeça no ar, e agora a prestar contas à justiça.

Bye Bye Carmona!
Agarre numa Harley Davidson, faça-se à estrada, mas deixe Lisboa seguir o seu rumo!

02 maio 2007

In PT


Ou por outras actividades ou por falta de inspiração, tenho andado arredado da escrita nos blogues. Por vezes leio no Público as referências a alguns blogues…São normalmente, à imagem dos jornais, transcrições sobre uma actualidade mediática devorada até à exaustão, que afinal pouco interessa para a vida de cada um. Só que, neste caso, veiculadas pelos “jornaizinhos” digitais. Um exemplo da notícia-tipo incide sobre a evolução do estado de saúde do Eusébio ou sobre as comemorações do 25 de Abril!
( Também não podia esperar que os jornais fizessem menção a textos de blogues que polemizem sobre a corrupção na Câmara Municipal de Lisboa ou sobre as vicissitudes na Independente…)

Apesar do optimismo tímido que por vezes perpassa do programa televisivo de António Barreto quando cita as liberdades conquistadas, no seu excelente Retrato Social, acho que tudo isto ainda é muito pouco.
33 anos não foi muito tempo para apagar o cinzentismo e o servilismo que sempre caracterizaram a sociedade portuguesa! 33 anos não foi o tempo suficiente para se interiorizar a verdadeira cidadania. E parece-me que poucos estarão interessados em agitar as ...mentes!

25 abril 2007

25 de Abril

Lembrar Abril!
Recordar duas figuras que a História jamais esquecerá: Salgueiro Maia e Zeca Afonso!

24 abril 2007

Liberdade

A liberdade, “ esse nome terrível escrito na carruagem das tempestades “ está na origem de todas as revoluções. Sem ela, a justiça parece inimaginável aos rebeldes. No entanto, vem um tempo, onde a justiça exige a suspensão da liberdade. O terror, pequeno ou grande, vem então coroar a revolução.


O Homem Revoltado- a revolta histórica – Albert Camus ( trad. livre)

21 abril 2007

Swing guitars


Uma proposta musical para esta tarde de sábado: Swing Guitars de Django Reinhardt.




Pintura: José Dias

20 abril 2007

Uma espécie de simbiose

De incongruência em incongruência, a novela da licenciatura de Sócrates parece interminável!
No entanto, olhando para alguns dos acontecimentos vindos a lume, fica no ar a sensação que a licenciatura de Sócrates na Independente foi pouco mais que um
passeio ao domingo na marginal do facilitismo reinante…

De facto, a classe política sempre se mostrou, neste e noutros casos, que vive num limbo intocável, muito acima do comum dos mortais, tirando partido da posição que ocupa nos meandros do poder.
Por outro lado, é conhecida a propensão de certas entidades individuais ou colectivas, em ceder ou fazer o jeito, de forma à obtenção de vantagens, especialmente perante órgãos do poder.
Em simbiose quase perfeita, até um dia!

No meio deste quem-fez-o-quê, há um facto que é indesmentível: competiria aos órgãos do poder, regular e fiscalizar o funcionamento das Universidades. Frouxos, em labirintos de conveniência como é apanágio do centrão, nunca o fizeram! Disso, aproveitou o aluno Sócrates, hoje PM, também ele responsável.
E agora TODOS sacodem a água do capote: o(s) mais visado(s) tenta(m) reenviar todas as responsabilidades para a tal instituição universitária; os outros, usam o facto como arma de arremesso político, tentando ignorar que também têm culpas no cartório.

Perante o olhar de descrédito do cidadão comum, com poucas esperanças em ver uma luz ao fundo do túnel da justiça nos casos mais mediáticos, fica uma interrogação: que espécie de democracia é esta?

17 abril 2007

Azeite

“Os investimentos são espanhóis e o azeite é português. O sector bateu no fundo na década de 90. Agora começa a ter nova vitalidade.”, como é dito aqui.

E ainda bem, diremos nós! Só não acho bem uma coisa: que os proprietários dos terrenos, que beneficiaram de significativa valorização infraestrutural após intervenção do Estado, como acontece no empreendimento do Alqueva, estejam isentos da tributação de mais-valias - e que são de monta - com a venda a terceiros. A espanhóis ou seja a quem for…

12 abril 2007

À procura do espaço público

Em vez do espaço público impera a televisão. Esta última poderia ser um meio extraordinário de criação de democracia. Mas é o contrário, e em múltiplos sentidos, que não podem ser aqui analisados.
José Gil : " Portugal Hoje - O medo de existir "

04 abril 2007

Hibernação

Feita a mala, escolhidos alguns CDs e livros, preparo-me para partir por período de curtas férias.

A previsão para esse período é a seguinte:
Estado do tempo: instável
Estado de espírito: em alta
Estado do blogue: em hibernação.

03 abril 2007

O aeroporto

Independentemente da acesa polémica que a construção do novo aeroporto de Lisboa tem gerado, e que vai certamente continuar a gerar, não se compreende a razão pela qual a CML patrocina um estudo comparativo entre a Ota e outras localizações!

A má gestão da CML é pública, as dívidas à banca e aos fornecedores são um fardo, a não aplicação de fundos para os trabalhos camarários mais básicos é sentida pelos munícipes. Não obstante, Carmona Rodrigues continua a exibir um sorriso patético!
Estas são razões mais que suficientes para que o executivo camarário abandone esta veleidade de querer patrocinar estudos para localizações de aeroportos, que no meu entender, não passa de uma mera tentativa de querer apagar o que de mau este mandato tem revelado.

Além de não ser de sua competência, não será tal estudo comparativo mais um gasto supérfluo, à imagem de outros a que a CML já nos habituou?

02 abril 2007

Visual


O amigo Luís Martins revela finalmente um talento adormecido. Muito em breve vai mostrar num espaço da CML alguns dos seus trabalhos.


“ Barco “ – Luís Martins

01 abril 2007

Verdes anos


Voei cedo do ninho, muito novinho, experimentando essa bela sensação de nos sentirmos donos do nosso destino. O primeiro trabalho contribuiu para essa mudança, uma outra terra surgia na estrada. Casa partilhada com dois amigos, foi a solução mais prática. Além de mais, era um espaço de convívio. Música, leitura, conversa, visitas, festas…
Nessa terra estabeleci amizade com a C., que na altura vivia em concubinato com um amigo. A mãe de C. era a Irene, uma mulher divorciada, que tinha quase o dobro da idade da filha. Por sinal, C. era apenas alguns meses mais nova que eu.
Irene, vestia-se como nós, ouvia também Bowie e Lou Reed, vivia quase nesses nossos verdes anos. Quase…pois às vezes, mesmo sem querer, soltava o seu lado maternal. Talvez por isso, os seus jovens amigos reagiam, por vezes de forma jocosa, irreverente.
Irene partilhava a sua casa com Y., uma morena insinuante, afectuosa, cuja presença poderia fazer supor ser sua filha. Uma agradável companhia para Irene. A casa, uma moradia térrea com um pequeno jardim, era um espaço aprazível.
Eu era um dos amigos que também frequentava a casa de Irene, havia momentos. Apesar da retórica irónica, de contornos niilistas, que era imagem do grupo em permanente contraste com aquela da cool Irene, acabávamos sempre por passar naquele oásis – a casa de Irene. Irene, tratava-nos bem, convidava-nos para jantar, era amiga; Y. dava-nos mimos, sentada na perna deste ou daquele, deixando-se ficar por aí.
Tendo como fonte esse tal grupo de amigos da casa, sucediam-se ao longo do tempo as paixões periódicas de Irene. Primeiro era um, depois outro, mais tarde um outro…Irene apaixonava-se sentidamente, perante a indiferença dos seus amigos que podiam ser seus filhos. Por vezes, no meio de uma festa mais bebida, lá continuava na cama a sua paixão do momento.
Uma noite, já cansado da dança, da festa e da bebida, acabei por aterrar numa cama dum dos quartos daquela casa. Até que fui acordando lentamente, à medida que ia sentindo uns dedos que corriam o fecho das minhas jeans. Era Irene…